
Relógio automático parou de funcionar: o que fazer?
Comece pelo mais simples: o automático pode só ter ficado sem corda, se passou um ou dois dias fora do pulso. Dê corda pela coroa (ou agite o relógio, se ele não tem corda manual) e acerte a hora. Se ele não voltar a andar, ou parar de novo mesmo com uso diário, leve à assistência.
Por que o relógio automático para sozinho?
Porque ele não tem bateria. O automático funciona com a energia de uma mola, a mola principal, que o movimento do pulso vai enrolando por meio do rotor, a peça em meia-lua que gira dentro da caixa (o post sobre como funcionam os relógios automáticos mostra o mecanismo). Quando a mola se desenrola toda, o relógio para.
O tempo que ele anda com a mola cheia, sem ir ao pulso, se chama reserva de marcha. No calibre 4R35 da Seiko, por exemplo, o manual informa cerca de 41 horas com a corda completa (manual do calibre 4R35 em português, no site da Seiko, consultado em 28/10/2026). Ou seja: deixado na gaveta de sexta à noite, ele já pode estar parado no domingo de manhã. Isso não é defeito, e é uma das coisas que as 5 dicas antes de comprar seu primeiro relógio automático avisam.
Mesmo no pulso, o relógio pode não receber corda suficiente se você o usa pouco tempo ou mexe pouco o braço. O manual do 4R35 recomenda usá-lo mais de 10 horas por dia; o manual dos mergulhadores automáticos da Seiko, que cobre também o 7S26, fala em mais de 8 horas (manual dos calibres 4R15, 4R35 e 7S26, consultado em 28/10/2026).
Como fazer o automático voltar a funcionar?
- Tire o relógio do pulso. Mexer na coroa com ele no braço força a haste, como explica o post sobre os 6 erros comuns que podem danificar seu relógio.
- Se a coroa é de rosca (ela não sai com um puxão, precisa ser desrosqueada antes), gire-a para a esquerda até ela soltar.
- Se o relógio tem corda manual, gire a coroa, na posição normal (empurrada), devagar para a direita, no sentido das 12 horas. O manual do 4R35 manda dar cerca de 20 voltas com o relógio parado e avisa que girar para a esquerda não enrola a mola. O mesmo manual diz que, com a mola cheia, a coroa pode continuar girando sem danificar o mecanismo.
- Se ele não tem corda manual, como o calibre 7S26 da Seiko, agite o relógio de um lado para o outro, num arco na horizontal, por cerca de 30 segundos (manual dos calibres 4R15, 4R35 e 7S26).
- Espere uns instantes. O manual do 4R35 explica que o ponteiro dos segundos só começa a andar quando a mola ganha alguma tensão; balançar o relógio de leve ajuda.
- Acerte a hora e a data. Não mexa na data na "zona de perigo", de noite e de madrugada, quando o calendário está mudando: no 4R35, a Seiko pede para não acertar o dia do mês entre as 21h e a 1h; no 4R36, que tem também o dia da semana, entre as 21h e as 4h (o post dos 6 erros explica).
- Rosqueie a coroa de volta, se for de rosca: gire para a direita enquanto a pressiona, sem forçar.
Fonte: manuais dos calibres 4R35 e 7S26 no site da Seiko Brasil, consultados em 28/10/2026. O seu relógio pode ser de outra marca ou ter outro calibre: na dúvida, o manual dele manda.
Voltou a andar e segue andando no pulso? Era só falta de corda. Não voltou? Pule para "Quando levar ao relojoeiro?".
Ele volta, mas para de novo mesmo no pulso: e agora?
Primeiro, confira o uso. Na tabela de problemas do manual do 4R35, a Seiko diz que o relógio que para cedo mesmo usado todo dia pode estar sendo usado por pouco tempo ou com pouco movimento do braço; a solução é usá-lo por mais tempo ou dar corda pela coroa ao tirá-lo do pulso. Quem trabalha sentado, no computador, mexe pouco o braço.
Se, com a corda completa dada pela coroa, ele não chega nem perto da reserva de marcha do manual, o problema é outro. O mesmo manual explica que, quando as peças ficam sem óleo ou gastas, o relógio pode atrasar ou parar, e nesse caso ele precisa de revisão. Isso não se resolve em casa.
O relógio anda, mas adianta ou atrasa muito: é ímã?
Pode ser. Quando um mecânico passa a andar errado, há boa chance de o culpado ser um ímã, segundo Tom Austin, da Time+Tide: a espiral, a mola finíssima que regula o ritmo do relógio, pode ficar magnetizada e grudar em si mesma. O post dos 6 erros explica o mesmo efeito.
O que a Seiko diz sobre isso:
- Afaste o relógio de ímãs. Mantê-lo a mais de 5 cm de produtos magnéticos (fecho de bolsa, capa de tablet com ímã, secador, barbeador elétrico) diminui o efeito (perguntas frequentes da Seiko sobre magnetismo, consultadas em 28/10/2026).
- Se o erro continuar longe do ímã, o relógio ficou magnetizado. A mesma página diz que o mecânico continua magnetizado depois de afastado do ímã e manda desmagnetizá-lo na assistência.
- Calor ou frio extremos também mudam a marcha, mas só enquanto duram: na tabela do manual do 4R35, a precisão volta quando o relógio volta à temperatura normal.
- Depois de uma queda ou pancada, a mesma tabela diz que a precisão não volta sozinha: é caso de assistência.
Quando levar ao relojoeiro ou à assistência?
| O que acontece | O que fazer em casa | Quando levar |
|---|---|---|
| Parou depois de dias fora do pulso | Dar corda ou agitar, e acertar a hora | Se não voltar a andar |
| Para cedo mesmo usado todo dia | Usar por mais tempo ou dar corda ao tirar do pulso | Se parar antes da reserva de marcha mesmo com a corda completa |
| Adianta ou atrasa de repente | Afastar de ímãs e esperar | Se o erro continuar: precisa desmagnetizar |
| Anda errado depois de uma queda | Nada | Sempre |
| Vidro embaçado por dentro que não desembaça | Nada | Logo: entrou umidade |
| Sem revisão há mais de 3 anos e andando errado | Nada | Na próxima oportunidade |
Fonte: tabela de problemas do manual do calibre 4R35 da Seiko, consultado em 28/10/2026.
O vidro embaçado merece pressa: o manual atribui o embaçado que não passa à umidade que entrou porque a vedação se deteriorou, e água dentro da caixa estraga o movimento. O post de cuidados essenciais para aumentar a vida útil do seu relógio fala da condensação, e o de resistência à água explica o que cada marcação aguenta.
De quanto em quanto tempo revisar um automático?
A Seiko recomenda revisar o relógio a cada três a quatro anos numa assistência autorizada, porque o óleo das peças se degrada com os anos e pode fazer o relógio atrasar ou parar (perguntas frequentes da Seiko sobre manutenção, consultadas em 28/10/2026). Outras fontes dão prazos parecidos:
- Erik Slaven, da Monochrome, dá como regra geral uma revisão a cada cinco anos, porque até os melhores óleos sintéticos se degradam;
- Tom Austin, da Time+Tide, sugere levar para checar o relógio usado todo dia por mais de cinco anos que passou a adiantar ou atrasar, porque adiar costuma sair mais caro;
- o post de cuidados essenciais fala em 3 a 5 anos para a maioria dos mecânicos e automáticos.
Vale saber antes: nos automáticos de entrada, a revisão pode custar quase o preço do relógio, e às vezes trocar o movimento inteiro sai mais barato, como lembram as 5 dicas antes de comprar seu primeiro automático. Peça o orçamento antes de autorizar.
Onde levar o relógio parado?
- Na garantia, leve à assistência autorizada da marca ou à loja onde comprou: quando o relógio não volta a andar, o manual da Seiko manda procurar a loja onde ele foi comprado. A Orient Brasil publica a lista de assistências técnicas por estado.
- Fora da garantia, um relojoeiro de confiança também serve para os movimentos mais comuns. Segundo Erik Slaven, da Monochrome, calibres de ETA, Sellita, Miyota e Seiko podem ser revisados pela maioria dos relojoeiros qualificados.
- Não abra o relógio em casa. Abrir a tampa tira a vedação, e o problema de um automático parado de verdade está dentro do movimento.
Se a rotina de dar corda e acertar a hora incomoda, o automático talvez não seja para você: um relógio de quartzo anda anos com uma bateria, como explica o post sobre como funcionam os relógios de quartzo.
Imagem: Seiko 5 SNK381 com o calibre 7S26, foto de Racomi, recortada, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
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- Equipe Relógio Certo