
Relógio automático vale a pena? Para quem sim e para quem não
Vale a pena se você gosta do mecanismo e vai usar o relógio quase todo dia. Não vale se você quer a hora certa sem pensar nela: o automático adianta ou atrasa mais que o quartzo, para quando a corda acaba fora do pulso (no calibre 4R36 da Seiko, depois de cerca de 41 horas) e pede revisão periódica (a Seiko recomenda a cada 2 ou 3 anos).
O que o automático tem de bom?
- Não usa bateria. O automático é um relógio mecânico que ganha corda com o movimento do braço: um peso que gira dentro dele, o rotor, enrola a mola que move os ponteiros. O post sobre como funcionam os relógios automáticos mostra o mecanismo por dentro.
- Dá para ver o motor funcionando. Muitos automáticos têm o fundo transparente, a tampa traseira de vidro que deixa ver o movimento, como o Invicta Pro Diver 29185 (fundo "Exhibition", segundo a página do 29185 no site da Invicta, consultada em 31/10/2026).
- Dura muito, se for cuidado. A Seiko diz que a revisão periódica serve para o relógio manter o desempenho "por muito tempo"; a revisão desmonta, limpa, troca o óleo e ajusta o movimento.
O que ele tem de ruim?
Os contras ficam claros quando se compara um automático de entrada com um relógio simples a bateria. Escolhemos o calibre 4R36 da Seiko, o de Seiko 5 Sports atuais como o SRPD65, e o Casio MW-240, que a Casio descreve como um analógico movido a bateria:
| Automático: Seiko 4R36 | A bateria: Casio MW-240 | |
|---|---|---|
| De onde vem a energia | corda automática, com corda manual pela coroa | bateria SR626SW |
| Quanto anda sem uso | cerca de 41 horas (a reserva de marcha) | cerca de 3 anos (a duração da bateria) |
| Precisão declarada | +45 a −35 segundos por dia | ±20 segundos por mês |
| Manutenção | revisão geral recomendada a cada 2 ou 3 anos, aproximadamente | troca da bateria |
Fonte: especificações do manual dos calibres 4R e serviço pós-venda do mesmo manual (Seiko); página do MW-240-1EV no site da Casio Brasil, na cópia do Internet Archive. Todas consultadas em 31/10/2026.
O que isso quer dizer no dia a dia:
- A precisão: no limite da faixa da Seiko, +45 segundos por dia viram mais de 20 minutos num mês sem acertar; o Casio, no limite dele, erra 20 segundos no mês. A Seiko avisa que a taxa declarada vale com o relógio no pulso, entre 5 °C e 35 °C, e que o uso real (quanto tempo no pulso, a temperatura, o movimento do braço, a corda da mola) pode tirá-lo dessa faixa. Quem usa um automático acerta a hora de tempos em tempos.
- A reserva de marcha: com cerca de 41 horas, o relógio que fica fora do pulso no fim de semana para. Aí é dar corda pela coroa e acertar a hora e a data; o passo a passo está em como dar corda em relógio automático, e o post sobre reserva de marcha compara a de outros calibres.
- A revisão: a Seiko recomenda uma revisão geral periódica a cada 2 ou 3 anos, aproximadamente, para o relógio manter o desempenho por muito tempo. O manual explica por quê: dependendo das condições de uso, a capacidade das peças de reter o óleo pode se deteriorar, o desgaste causado pelo óleo contaminado pode afetar bastante a precisão, ou o relógio pode parar. Fora da garantia, a revisão é paga. No Casio da tabela, a manutenção que a página da Casio cita é a troca da bateria, que dura cerca de 3 anos.
Quanto custa a mais?
Um exemplo na mesma marca e no mesmo tamanho: na Orient Brasil, o automático F49SC011, de aço e 42 mm, tem preço sugerido de R$ 698,00 (página do F49SC011, consultado em 31/10/2026), e o quartzo MBSS1155A, também de aço e 42 mm, de R$ 358,00 (página do MBSS1155A, consultado em 31/10/2026). É quase o dobro, antes de contar a revisão.
Para quem o automático vale a pena?
- Para quem gosta de relógio como objeto e quer entender (e ver) o que acontece lá dentro.
- Para quem usa o mesmo relógio quase todo dia, e ele não para.
- Para quem não se incomoda em acertar a hora de vez em quando e em pagar uma revisão a cada poucos anos.
Para quem não vale?
- Para quem quer a hora certa sem pensar nela: o Casio a bateria da tabela erra bem menos que o automático.
- Para quem alterna vários relógios ou usa relógio só em ocasiões: o automático vai estar parado na maior parte das vezes. Quem tem vários automáticos e quer deixá-los andando pode ver o post sobre caixa giratória para relógio automático.
- Para quem quer gastar o mínimo: no exemplo da Orient, acima, o quartzo custa perto da metade.
Uma alternativa no meio do caminho: o relógio solar. A Orient diz que a coleção Solartech é alimentada por energia solar e absorve a luz do sol e a luz ambiente para carregar a bateria (página da coleção Solartech, consultada em 31/10/2026). O Orient Solartech MBSS1492, analógico, de aço e 40 mm, tem "autonomia de 4 meses", segundo a página do MBSS1492, que traz o preço sugerido de R$ 358,00 (consultado em 31/10/2026). Não tem o mecanismo para ver, mas, com essa autonomia, não para num fim de semana fora do pulso.
Se eu decidir pelo automático, por onde começar?
Leia antes as 5 dicas antes de comprar seu primeiro relógio automático, que detalham os cuidados acima. Para escolher o modelo:
- o guia de relógio automático até 1000 reais compara os de entrada, com o Invicta e os Orient;
- o guia de relógio automático até 2000 reais cobre a faixa de cima;
- os posts sobre se o Seiko 5 vale a pena e se a Orient vale a pena avaliam a linha Seiko 5 e a marca Orient para quem compra o primeiro automático.
Um exemplo com preço: o Invicta Pro Diver 29185, uma homenagem ao desenho do Rolex Submariner, com o calibre automático IM-A-005, caixa de 42 mm em tom dourado e 200 m (segundo a página do 29185 no site da Invicta, consultada em 31/10/2026), custava R$ 855,34 no anúncio vendido pela Amazon.com.br (ver o Invicta Pro Diver 29185 na Amazon, consultado em 31/10/2026; confira se é vendido e entregue pela Amazon). Não é para quem se incomoda com um desenho copiado; o post sobre as marcas de relógios que as pessoas adoram odiar explica as críticas à Invicta.
Onde comprar sem cair em golpe?
Prefira a loja oficial da marca, um revendedor autorizado ou um anúncio vendido e entregue pela própria Amazon ou pela Loja Oficial do Mercado Livre, que dão nota fiscal e garantia. Se o anúncio for de uma loja parceira, e não da própria Amazon, confira a nota fiscal e a garantia antes de comprar. Desconfie de um preço muito abaixo do das lojas oficiais: o post sobre como saber se um relógio é original ensina a conferir.
Imagem: Seiko automático vintage de 17 rubis, foto de Joe Haupt, recortada e com o fundo estendido nas laterais, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
- Nome
- Equipe Relógio Certo